sábado, 24 de julho de 2010

Sobre Alberto Frioli


É gratificante descobrir o trabalho do escultor Alberto Frioli no contexto das artes plásticas do século XXI. Em meio a tantas mostras a refletir sobremaneira o cenário desorganizado, mecanicista e, quase sempre, niilista da sociedade hodierna, encontramos uma proposta de reconstrução, renovação e reencantamento da vida, respaldada pela Tradição dos Mestres e dos mitos e símbolos imemoriais. O conjunto de sua obra parece revelar a aproximação de uma espécie de cultura alquímica, a contrapor-se aos padrões até então adotados, sussurrando segredos, desvelando mistérios e reposicionando o homem (e sua missão) no ciclo evolutivo do tempo, evocando o Ouroboros ou Aion dos gregos (de onde a palavra "eternidade" é derivada), de modo a definir um período cósmico entre a criação, a destruição do universo e sua recriação. Na verdade, percebe-se o alquimista e sua opus, em constante processo de transmutação, como que conclamando à coletividade a continuidade e a expansão de sua realização. Prazeirosamente, podemos pensar num sopro de Azoth, o último arcanum dos alquimistas, o espírito universal de Deus, em júbilo, criando através de suas criaturas.

Claudia Bento Alves – astróloga e artista plástica.

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